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Há quase 30 anos na Câmara de Matosinhos, garante que o seu compromisso com os matosinhenses está acima de qualquer cargo. E diz que as ‘guerras internas’ no PS ‘são mais fantasia do que realidade’.
Nas diversas funções que desempenhei, sempre me motivou o serviço à comunidade. Matosinhos é uma comunidade especial, muito participativa e exigente. Estas características têm permitido um desenvolvimento muito profícuo do concelho, que tem indicadores muito positivos de qualidade de vida e de crescimento económico, com capacidade de manutenção de um forte princípio de solidariedade e de coesão. Por isso, independentemente das minhas responsabilidades ao longo dos anos, foi sempre com prazer que dei o meu contributo a Matosinhos, procurando dar o meu melhor.
O que espera deixar como legado?
O legado é realmente o que conseguimos construir juntos. Nos meus mandatos como presidente espero ter conseguido contribuir para o impulso do município na resolução de problemas das pessoas e na afirmação da nossa identidade, da nossa competitividade e da nossa capacidade de enfrentar o futuro.
Foi a primeira mulher presidente da autarquia. O Norte hoje é menos conservador do que no passado?
O Norte não é diferente do país, nesse aspeto. Temos ainda poucas mulheres presidentes de câmara, mas acredito que esta é uma realidade em transformação acelerada.
O que falta para uma mulher chegar à presidência das duas principais autarquias do país?
Ganhar as eleições!
Se, por razões mágicas, lhe dessem a oportunidade de escolher entre ser Presidenta da República ou primeira-ministra, qual escolheria?
Obviamente não trocaria o meu compromisso com os matosinhenses por outro qualquer cargo.
As ‘guerras’ internas no PS são notórias. José Luís Carneiro está a ser boicotado? Pedro Nuno Santos poderá voltar à liderança do partido?
As ‘guerras’ internas são mais fantasia do que realidade. A liderança de José Luís Carneiro está firme. Muitos desejariam um PS em crise, sobretudo agora que as sondagens revelam uma tendência de crescimento do partido. Pedro Nuno Santos é um grande quadro do PS e demasiadas vezes tentam fazer dele um desalinhado da liderança, o que não é.
Ter sido consultora jurídica da DECO deu-lhe ‘bagagem’ para os desafios que se enfrentam numa câmara?
Uma câmara tem ‘clientes’ exigentes e essa passagem pela DECO ensinou-me a respeitar essa exigência como um direito legítimo, que deve ser respeitado.
Há quem diga que a esquerda, a nível europeu, está a ser prejudicada por causa da agenda wokista. O que pensa da política do cancelamento?
Todos os excessos ou radicalismos são prejudiciais a uma democracia saudável. De todos os espetros políticos surgem fenómenos de radicalismo que a maturidade das democracias deve ser capaz de moderar e corrigir.
O Leixões não está na primeira divisão há 16 anos. Acredita que num futuro próximo será possível o regresso? Há algum impacto económico na cidade?
Esse é um sonho de muitos matosinhenses e será uma enorme alegria para todos nós que esse regresso aconteça. Há instituições identitárias que merecem sempre todo o nosso carinho.
Qual é o seu prato preferido? E marisco?
Uma refeição caseira, partilhada em família. Um luxo que muitas vezes sou obrigada a abdicar por responsabilidades profissionais. Quanto a marisco, património gastronómico de Matosinhos, devolvo a pergunta aos leitores, depois de visitarem um dos nossos muitos restaurantes.
Créditos: SOL
TVSH 25/05/2026
