Luísa Salgueiro contra modelo de expansão do Porto de Leixões: “A defesa de Matosinhos não tem preço”

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Na entrevista, a autarca de Matosinhos, Luísa Salgueiro, rejeita falar em contrapartidas, cita exemplos estrangeiros de expansão para o mar e desafia a APDL e o Governo a avançarem com uma solução que não penalize Leça da Palmeira. Sobre a praia de Matosinhos, garante que a autarquia está a trabalhar para afastar o risco de interdição

 

João Neves, que preside à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (ADPL), considerou que a solução para expandir o Porto de Leixões traz vantagens para Matosinhos. A câmara discorda. Este choque institucional, que também envolve o Governo, é para manter?

Não se trata de nenhum choque institucional. Todos queremos o desenvolvimento do Porto de Leixões, todos queremos que o Porto de Leixões seja competitivo, que se afirme no panorama nacional e internacional, que seja o grande suporte de toda a região, e que, pelo menos ao nível do Noroeste Peninsular, tenha uma grande relevância. Portanto, do ponto de vista institucional, não há nenhum choque e não há nenhum problema na relação entre a Câmara Municipal e a administração do Porto de Leixões. O que acontece é que nós entendemos que esse investimento, esse crescimento e esse desenvolvimento devem acontecer em profundo respeito pela envolvente e que a cidade e o porto têm obrigação de se respeitarem reciprocamente. E é isso que estamos a defender, que o desenvolvimento, o crescimento e os investimentos do Porto de Leixões não prejudiquem a cidade, neste caso Leça da Palmeira, que se tornou uma área muito qualificada do nosso território. Para nós, é muito importante que a atividade náutica se mantenha, é muito importante defender a paisagem de Leça da Palmeira. Estamos a falar de uma marginal onde estão, entre outros, equipamentos ou edifícios como duas grandes obras de referência do arquiteto Álvaro Siza Vieira. Recordo que a Piscina das Marés foi considerada um dos 100 edifícios mais importantes do século XX e estamos a falar de uma cidade que se foi valorizando, qualificando ao longo do tempo. O que nós queremos é que a APDL olhe para a Leça da Palmeira com este respeito e que possa encontrar formas de garantir que o Porto de Leixões cresça e se desenvolva sem prejudicar o grande capital de qualificação que Leça da Palmeira atingiu. Portanto, há muitos pontos em que nós convergimos, mas divergimos na solução técnica. Eu não quero ser vencida, até que me demonstrem ser uma incontornabilidade e uma inevitabilidade que estes investimentos que estão a ser preparados para garantir mais capacidade de armazenamento de contentores ao Porto de Leixões não podem avançar em soluções que não ocupem Leça da Palmeira e que não obriguem a cidade a encolher para que o porto possa crescer. Nós queremos que o porto cresça e que Leça da Palmeira seja respeitada e qualificada. Os leceiros merecem respeito e é isso que nós pedimos.p

João Neves afirma que a opção por uma solução de mar profundo é muito dispendiosa e com impactos ambientais relevantes.

Eu ouvi. Mas não posso aceitar que digam que é muito caro poupar Leça da Palmeira. Primeiro, não sei quanto é muito caro; depois, não sei por que é inviável. Também disse que exigiria estudos ambientais. Então a APDL tem de fazer, ou o Governo tem de fazer, não peçam é aos matosinhenses para fazerem esses estudos, porque é a entidade adjudicante, que quer fazer esses investimentos, que tem de demonstrar aos leceiros, aos matosinhenses e ao país que não existe uma alternativa mais sustentável, que defenda mais a comunidade. O meu papel aqui é defender a comunidade até ao limite. E o senhor presidente da APDL tem de defender o Porto de Leixões, mas também tem de respeitar a envolvente.

Não houve contactos prévios com a câmara de Matosinhos para a elaboração deste projeto?