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A instalação de dispositivos autónomos em coberturas de edifícios municipais vai permitir alertar as autoridades marítimas sobre situações de emergência e focos de poluição nas praias nortenhas.
Este cenário futurista está prestes a tornar-se real na orla costeira de Matosinhos. A autarquia está a desenvolver uma rede de aeronaves não tripuladas que irá revolucionar a proteção civil e a monitorização ambiental.
O mentor por trás deste avanço tecnológico é José Borges, especialista em engenharia geoespacial formado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Integrado no Gabinete de Informação Estratégica do município, o investigador desenvolveu um modelo assente em bases fixas instaladas na cobertura de edifícios estratégicos.
A partir desses pontos elevados, os aparelhos irão descolar de forma autónoma para fazer rondas regulares e recolher informação visual detalhada em tempo real.
O olho digital concentrado na segurança pública
Os novos vigilantes do litoral contam com câmaras térmicas, projetores de iluminação e sistemas de som para interagir com o terreno. Os dados captados nas vistorias aéreas passam por uma triagem imediata através de inteligência artificial criada pela própria equipa municipal.
Quando o algoritmo identifica uma pessoa em perigo, acumulação de resíduos ou manchas poluentes, o sistema emite um sinal direto para as salas de controlo operacional.
A versatilidade da ferramenta estende-se muito além das zonas balneares. Os responsáveis planeiam aplicar as mesmas patrulhas robóticas no combate a fogos florestais e na monitorização de cheias urbanas.
Para maximizar o sucesso dos resgates aquáticos, os engenheiros recorreram à impressão tridimensional para conceber garras especiais capazes de transportar e largar boias de salvação diretamente junto dos banhistas em dificuldades.
A evolução dos dados geográficos utilitários
A abordagem reflete o percurso focado em utilidade pública que José Borges construiu desde que concluiu o mestrado em 2018. O cientista tem demonstrado que a análise espacial moderna superou a simples elaboração de mapas tradicionais.
Ao longo da sua carreira na autarquia, desenvolveu plataformas informáticas essenciais para a gestão de crises complexas, incluindo a monitorização do território durante os surtos pandémicos da COVID-19.
A sua especialidade em cruzamento de dados geométricos revelou-se útil até na descoberta do património histórico local. Através da criação de rotinas computacionais, que examinam o relevo do solo por fotografia aérea, o investigador conseguiu localizar estruturas arqueológicas romanas subterrâneas na região norte do concelho.
O trabalho demonstra como a programação avançada consegue extrair valor social do mapeamento digital, transformando dados brutos em serviços de proteção e de valor cultural.
O futuro centro de inteligência urbana
A introdução desta tecnologia aérea, planeada para entrar em pleno funcionamento operacional no próximo ano, marca apenas o início de uma reestruturação mais profunda na gestão do território. O programa estratégico da autarquia visa centralizar estas ferramentas num núcleo avançado de conhecimento municipal.
Este polo vai cruzar as imagens dos voos diários com previsões meteorológicas, sensores instalados nas ruas e dados de tráfego rodoviário.
O cruzamento massivo de variáveis vai permitir prever acidentes ambientais e otimizar o tempo de resposta das equipas de socorro. O projeto, no fundo, tem como intuito demonstrar como a inovação académica pode apoiar a resolução de problemas quotidianos, colocando a ciência aeroespacial ao serviço do bem-estar da população.
Créditos: Meteored Portugal
TVSH 07/07/2026
