Dos transportes às escolas, onde se vai sentir a greve geral de dia 3 de junho?

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É a segunda greve geral contra a reforma da lei do trabalho que o Governo está a levar a cabo. Desta vez, convocatória partiu da CGTP e UGT não se juntou, argumentando que paralisação é extemporânea.

“Vamos afirmar a nossa indignação e protesto, a exigência de uma vida melhor, da derrota do pacote laboral, vamos afirmar a poderosa força dos trabalhadores. Todos juntos vamos realizar uma grande greve geral no próximo dia 3 de junho“. Foram estas as palavras usadas pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, para anunciar a paralisação que se realizará na próxima semana.

No seu discurso do Dia do Trabalhador, o sindicalista apelou também à “convergência de todas as estruturas dos trabalhadores” neste dia de luta. No entanto, ao contrário do que aconteceu na greve geral de 11 de dezembro, desta vez a UGT não se juntou ao protesto, considerando esta paralisação “extemporânea”, uma vez que o processo acaba de chegar ao Parlamento e a reforma ainda nem foi votada na generalidade.

Ainda assim, vários sindicatos já anunciaram o apoio à greve geral, dos transportes à saúde. Por exemplo, a Comboios de Portugal anunciou que prevê perturbações na circulação, com possíveis impactos no dia 2 e no dia 4, “por motivo de greve convocada pelos sindicatos SFRCI, SMAQ, ASCEF, ASSIFECO, FECTRANS/SNTSF, FENTCOP, SINDEFER, SINFA, SINFB, SINTTI, SIOFA, STF e SNAQ“.

“Aos clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, a CP permitirá o reembolso, no valor total do bilhete adquirido, ou a sua troca gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe“, já fez saber a empresa.

“Aos clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, a CP permitirá o reembolso, no valor total do bilhete adquirido, ou a sua troca gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe.”

CP

Já no transporte aéreo, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (SITAVA), que representa o pessoal de terra, foi o primeiro a indicar a adesão à greve geral. A estrutura ressalvou, porém, que os trabalhadores vão assegurar os serviços mínimos indispensáveis, incluindo voos urgentes por razões de segurança, voos ambulância, emergências em voo, voos de Estado e voos militares.

Entretanto, também os associados do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que representa os tripulantes de cabine, já aprovaram com uma larga maioria a adesão à greve geral convocada pela CGTP para o dia 3 de junho.

Assim, na próxima quarta-feira, poderão ser registados constrangimentos na operação da TAP, Portugália, SATA, e de outras companhias com bases em Portugal, como a easyJet ou Ryanair. No total, o SNPVAC contabiliza “mais de 500 voos programados” para o dia da greve geral, sendo que a paralisação “irá afetar também os dias anteriores e subsequentes”, afirma num comunicado enviado aos associados a que o ECO teve acesso.

“O perpetuar desta insistência demagoga e errada da parte do Governo, ao insistir em levar avante esta proposta, poderá provocar danos impactantes nas empresas e na própria economia em Portugal, não só no dia 3 de junho, mas podendo resultar num verão quente.”

SNPVAC

Em contraste, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) decidiu, desta vez, não aderir à greve geral. “A primeira greve geral foi oportuna. Marcámos uma posição, tanto os pilotos como os trabalhadores de todo o país, contra o pacote laboral”, começou por referir o presidente da estrutura. A greve da próxima semana “não parece ter o timing mais adequado”, acrescentou.

Ainda nos transportes, mas voltando para os meios terrestres, os trabalhadores da Carris e da Carristur anunciaram que vão aderir à greve geral contra o pacote laboral convocada pela CGTP. Manuel Leal, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), explicou ter ficado decidido, em plenário, a adesão, com a concordância de todas as estruturas sindicais representativas dos trabalhadores da Carris e Carristur.

Da saúde à educação

A greve geral deverá ter impacto também entre quem trabalha no setor da saúde e no setor da educação. No que diz respeito ao primeiro, há a notar que o Sindicato dos Médicos do Norte, filiado na Federação Nacional dos Médicos, já informou que vai aderir à paralisação convocada pela CGTP em protesto não só contra a reforma laboral, mas também contra o agravamento das condições no Serviço Nacional de Saúde.

Também o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) já fez saber que se vai juntar ao protesto. A paralisação de enfermeiros vai realizar-se entre as 00h00 e as 24h00 de 3 de junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.

“Todas as mais de 100 propostas de alteração de articulado, propostas pelo Governo, são para retirar direitos aos trabalhadores, também aos enfermeiros“, argumenta o SEP.

“Uma alteração tão negativa do Código do Trabalho acabaria inevitavelmente por se refletir depois na legislação aplicável à Administração Pública e diminuiria significativamente as possibilidades de uma revisão do estatuto da carreira docente – que, decerto não por acaso, se vem penosamente arrastando no tempo – no sentido necessário, o de uma efetiva valorização da profissão e da carreira.”

Fenprof

Já na educação, a Fenprof avançou também com um pré-aviso de greve para 3 de junho. José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais desta estrutura que representa os professores, defendeu que “o processo de revisão da legislação laboral que está a acontecer é agressivo” e sublinhou que os docentes “também estão na greve em luta pela escola pública e pela valorização da carreira“.

Também o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) já indicou que se vai juntar à greve geral contra o pacote laboral, sendo que o pré-aviso que entregou abrange docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação.

Telecomunicações, comércio e até call centers

Além dos transportes, da saúde e da educação, há também pré-avisos de greve para 3 de junho ligados ao setor das telecomunicações, comércio, indústria, arquitetura e call centers.

Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT) emitiu um pré-aviso de greve, considerando “inaceitável” que, enquanto os “grupos económicos acumulam lucros e expandem os seus negócios, os trabalhadores sejam empurrados para a precariedade”. A estrutura denunciou a realidade de “milhares de trabalhadores que vivem na instabilidade permanente, muitos em subcontratação, em regime de falsos recibos verdes, com contratos a prazo ou por tempo indeterminado e ausência de direitos básicos”.

ambém os trabalhadores dos call centers de Castelo Branco decidiram em plenário aderir à greve geral de 3 de junho contra o pacote laboral, prevendo uma forte adesão num setor marcado pela instabilidade e precariedade.

“Os trabalhadores consideram que, sendo um dos setores mais marcados pela precariedade laboral e pela ausência de instrumentos de regulamentação coletiva, seriam fortemente prejudicados pelo novo pacote laboral apresentado pelo Governo se este viesse a ser aprovado.”

Sinttav

“Os trabalhadores consideram que, sendo um dos setores mais marcados pela precariedade laboral e pela ausência de instrumentos de regulamentação coletiva, seriam fortemente prejudicados pelo novo pacote laboral apresentado pelo Governo se este viesse a ser aprovado”, lê-se num comunicado divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav).

Noutro setor, os trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa aprovaram, por unanimidade, o apoio à greve geral de 3 de junho. E também o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) vai juntar-se à paralisação.

Recusamos as propostas do Governo para perpetuar os salários baixos, desregular ainda mais os horários de trabalho e o trabalho à borla, atacar os direitos das mães e pais trabalhadores e das crianças, perpetuar a precariedade dos jovens, facilitar os despedimentos e atacar os direitos coletivos dos trabalhadores”, adiantou a estrutura em comunicado.

A estes, devem somar-se ainda os trabalhadores filiados no Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura (Sintarq), que aderiu à greve geral contra o pacote laboral, que classificou como um “grave retrocesso” e um ataque direto. “O Sintarq convoca todos os trabalhadores em arquitetura para a greve geral, no próximo dia 3 de junho”, anunciou a estrutura.

A reforma da lei do trabalho começou a ser negociada, na Concertação Social, em julho do ano passado. Apesar de quase dez meses de discussão, não foi possível um acordo entre os parceiros sociais, tendo o Governo avançado com uma proposta de lei.

Agora que a mesma já chegou ao Parlamento, o Governo da AD terá de encontrar apoio na oposição para viabilizar este pacote de dezenas de mudanças ao Código do Trabalho. O Chega tem sido apontado como o aliado mais provável, mas ainda não é certo que o partido de André Ventura dê a mão ao Executivo de Luís Montenegro, nesta matéria.

 

Créditos: ECO

TVSH 29/05/2026