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Um segurança de um bar, situado na zona das Galerias, no centro do Porto, foi baleado na madrugada deste sábado. A vítima foi atingida numa perna por disparos feitos por um cliente, cuja entrada no estabelecimento de diversão noturna tinha sido recusada minutos antes. O autor dos disparos foi detido e será levado ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto na tarde deste sábado.
E, pouco tempo passado, estava de regresso à Rua Cândido dos Reis e terá feito seis disparos, com uma pistola de calibre 6.35 mm, em direção à porta do bar. Um dos tiros atingiu a perna de um dos seguranças, de 26 anos, que estava no exterior do espaço de diversão noturna e os restantes ficaram alojados na parede e na porta.
A vítima teve de ser transportada ao Hospital Santo António, situado a uma curta distância do bar, para ser tratado aos ferimentos. Porém, nunca correu risco de vida.
Após os disparos, o cliente ainda tentou abandonar o local, mas seria rapidamente detido por polícias da Equipa de Intervenção Rápida. Esta unidade especial da PSP está presente, regularmente, na zona da movida portuense e os seus elementos conseguiram localizar o autor dos disparos nas ruas adjacentes ao bar alvejado.
O detido será levado, na tarde deste sábado, ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para ser submetido a primeiro interrogatório judicial. No final, serão decretadas as medidas de coação.
“Lista negra” de clientes
Apesar da tentativa de homicídio da madrugada deste sábado, o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, António Fonseca, garante que a noite portuense é segura. “Este foi um acontecimento isolado, mas preocupante. Os disparos foram feitos numa zona de grande afluxo de pessoas e alguma podia ter sido atingida”, afirma.
Para António Fonseca, este “é um momento para refletir”, especialmente na criação de uma “lista negra” de clientes com entrada proibida em espaços de diversão noturna. “Os recentes incidentes ocorridos em diversos estabelecimentos de animação noturna demonstram as limitações do atual enquadramento legal na prevenção da entrada de clientes, cujo comportamento represente um risco para a segurança e para o normal funcionamento dos espaços. Recorde-se que esta questão já foi objeto de reflexão em 2008 e 2009, tendo sido estudada a criação de um mecanismo de registo de clientes perturbadores, promovido pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto e analisado pelo então Ministro da Administração Interna”, recorda.
O dirigente da da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto lembra, “todavia, que o parecer emitido pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República foi desfavorável, por entender que a solução proposta não encontrava enquadramento constitucional e legal suficiente, razão pela qual a iniciativa não chegou a ser implementada”.
Para reativar a discussão sobre o tema, António Fonseca vai solicitar uma reunião com o ministro da Administração Interna, Luís Neves. “Continua a justificar-se um debate sério sobre a necessidade de dotar os empresários de instrumentos legais claros que lhes permitam prevenir situações de risco, protegendo simultaneamente os direitos dos cidadãos e a segurança de todos os que frequentam os espaços de animação noturna”, justifica.
Créditos: JN
TVSH 03/08/2026
