Protesto pela habitação no Porto desmobilizado por receio de “infiltração da extrema-direita”

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A organização do protesto alega que uma dezena de elementos de um grupo de extrema-direita estariam infiltrados com armas brancas.

A organização da manifestação pelo direito à habitação na Praça D. João I, no centro do Porto, ordenou, ao início da madrugada desta sexta-feira, a desmobilização “imediata” da ação, apontando para o que descreveu como uma “infiltração” de elementos estranhos ao protesto.

“Juntos, em grupo, desmobilizar imediatamente para casa. Foi revertida a decisão”, anunciou aos manifestantes o porta-voz do movimento, Pedro Manuel, cerca da 1h20.

Reforçados pela presença de centenas de pessoas, os manifestantes haviam decidido voltar a pernoitar na Praça D. João I, palco, na véspera, de uma carga policial que resultou em dezenas de feridos. Mas desta feita sem erguer tendas.A alegada presença de infiltrados de um grupo de extrema-direita com armas brancas levou à desmobilização.

“A alegada presença de infiltrados de um grupo de extrema-direita com armas brancas levou à desmobilização.
“Nada tem a ver com resistência do movimento, ou resistência à polícia, tem a ver com o facto de termos identificado, no caso do senhor que o INEM levou, que era um dos manifestantes de extrema-direita que estava infiltrado na manifestação e que estava a criar confusão”, afirmou o porta-voz, ouvido pela equipa de reportagem da RTP no local.
“Identificámos muitos mais, por volta de 11, que tinham permanecido ainda e estavam no meio da multidão, com confirmação visual de que possuíam facas. Avisámos a polícia, nada foi feito. Pelo contrário, eles dispensaram pessoal”, prosseguiu.
Depois de se concentrarem na Praça D. João I, os manifestantes rumaram à Avenida dos Aliados. Contudo, acabaram por regressar ao ponto de partida.
O movimento apela agora à mobilização para sábado, no Porto e em Lisboa, embora admita retomar já esta sexta-feira o protesto.

Seis reivindicações
O movimento foi alvo, na madrugada de quinta-feira, de uma carga policial que fez pelo menos 39 feridos entre os manifestantes, segundo o balanço dos organizadores. Duas pessoas ficaram em estado grave.

Os manifestantes haviam reerguido tendas durante a noite, que acabariam por ser removidas pela polícia. Isto depois de o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, ter prometido ser “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I.

Em comunicado, o movimento veio denunciar “veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”.

A PSP confirmou, por sua vez, um agente ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, atribuindo a intervenção policial a “comportamentos de resistência”. Na mesma linha, Pedro Duarte argumentou, em conferência de imprensa, que as forças de segurança se viram “forçadas” a agir face às ações dos manifestantes.
“Abaixo a lei das rendas, fim dos despejos, fim da compra de imóveis por fundos abutres, mais habitação pública, recuperação de imóveis devolutos para habitação e tetos às rendas” são as principais reivindicações do movimento.
Ainda na quinta-feira, o novo diretor da Polícia de Segurança Pública, Pedro Moura, sustentou que “houve necessidade de fazer uma intervenção mais musculada”, ao passo que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerou a atuação policial “legítima”.

A partir de Bruxelas, na antecâmara da reunião do Conselho Europeu, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, saíra já em defesa das autoridades, descartando que o país estivesse “em turbulência”.

O chefe do Governo disse mesmo esperar que os partidos, movimentos associativos e organizações “não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm de facto respaldo na sociedade portuguesa”.

O presidente da República reconheceu, por seu turno, o direito de os manifestantes se expressarem livremente, manifestando compreensão pelas motivações dos mais jovens. Em simultâneo, António José Seguro recordou que devem cumprir as obrigações de cidadania. Por outro lado, responsabilizou “todos os partidos” pela ausência de soluções.

Créditos: RTP/Lusa
TVSH 16/10/2026