Homenagem a António Cunha e Silva

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Sessão no Orfeão de Matosinhos reconheceu o percurso na música, literatura e cultura

O Orfeão de Matosinhos e o Orfeu de Bruxelas promoveram, ontem, uma sessão de homenagem ao professor António Cunha e Silva, reconhecendo um percurso de cerca de cinco décadas dedicado à música, à literatura, à pintura e à promoção da cultura, com uma ligação particularmente estreita a Matosinhos.

A sessão, realizada nas instalações do Orfeão de Matosinhos, contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e do vereador da Cultura, Fernando Rocha, que se associaram ao reconhecimento público do percurso de António Cunha e Silva.

Nascido em 1941, em Leça da Palmeira, António Cunha e Silva construiu um percurso profissional e cívico marcado pela música, pelo ensino, pela escrita e pelo estudo e divulgação da cultura. A sua ligação a Matosinhos constitui um dos elementos centrais da sua ação ao longo das últimas décadas.

Diplomado pelo Conservatório de Música do Porto, foi membro da Orquestra Sinfónica do Porto e do Quarteto de Cordas do Porto. Dedicou igualmente grande parte da sua atividade ao ensino e à gestão de instituições de formação musical, tendo sido professor de violino e presidente do Conselho Diretivo do Conservatório de Música do Porto. Exerceu ainda funções de diretor da Academia de Música de Matosinhos, do Conservatório da Maia e do Conservatório da Covilhã.

No âmbito da sua carreira musical, recebeu dois prémios escolares, atribuídos pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Juventude Musical Portuguesa, tendo recebido, neste último caso, o segundo prémio. Foi também bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Governo Francês, com períodos de formação em Bruxelas e Nice.

O seu percurso levou-o igualmente a participar em projetos de dimensão internacional. Como convidado, integrou a Orquestra Gulbenkian em digressões à então União Soviética, à China e à Índia.

A investigação e divulgação da música portuguesa assumiram também um lugar de destaque no seu trabalho. Durante mais de três décadas, António Cunha e Silva dedicou-se ao estudo da vida e da obra de Óscar da Silva, compositor associado à temática da saudade e do saudosismo.

Paralelamente à atividade musical, desenvolveu uma consistente carreira literária. Publicou mais de uma dezena de livros, entre os quais A Musicalidade da Pintura e Mandar Abrir o Mar. O seu trabalho foi reconhecido em diferentes momentos, nomeadamente com duas Menções Honrosas, em 2015 e 2019, no Prémio Dr. Luís Rainha, integrado nas Correntes d’Escritas. Em 2020, recebeu o Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, instituído pelo Município de Sátão.

A intervenção de António Cunha e Silva na vida cultural estendeu-se também à imprensa regional. Foi colaborador de vários títulos, entre os quais O Comércio de Leixões, Matosinhos Hoje, Maré, O Badalo de Leixões, O Matosinhense e a revista Notícias de Matosinhos.

O seu percurso cívico e cultural foi anteriormente distinguido pelo Município de Matosinhos. Em 2013, a Câmara Municipal atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Dourada, reconhecendo o contributo desenvolvido em prol do concelho.

 

TVSH 16/09/2026