Ficam a voz, os poemas, o carisma e muitos amigos pelo mundo. As reações à morte de Jorge Palma

👁️ 133 visualizações

fb-share-icon0

Loading

Presidente, primeiro-ministro e músicos evocam a voz única, os poemas, o carisma e a obra extraordinária do cantor e compositor que marcou gerações com temas como “Frágil” e “Bairro do Amor”.

Velório aberto a todos na Voz do Operário

O velório do músico Jorge Palma, que morreu na segunda-feira, está marcado para quarta-feira, na Voz do Operário, em Lisboa, “para que todos se possam despedir e prestar uma última homenagem”, anunciou hoje a família. O funeral será na quinta-feira e reservado aos mais próximos.

PCP lamenta morte de Jorge Palma, “uma referência de insubmissão e liberdade”

O Partido Comunista Português reagiu à morte de Jorge Palma, lembrando-o em comunicado como uma “figura maior da música e da cultura portuguesas feitas e vividas em liberdade”.

“Compositor, letrista, intérprete, foi para várias gerações uma referência de insubmissão e liberdade”, escreveu o PCP, frisando que Palma é alguém que “cantou o amor, as fragilidades humanas e a vida na cidade com profunda delicadeza e sensibilidade, dando dessa forma voz aos muitos que o ouviam e consigo cantavam as suas canções”.

“Canções de liberdade, porque só em liberdade se pode cantar da forma como Jorge Palma o fez”, especificou ainda o partido, notando que eram “canções de esperança, mesmo quando eram de desesperança, por cantarem a complexidade humana e toda a beleza que ela tem”.

Para o PCP, Palma teve também “uma posição no plano político”, cantando “pela liberdade, pela democracia, por um Portugal construído pelo povo português”.

“Da parte do PCP aqui deixamos a nossa determinação de dar continuidade ao que cantou em, ‘a gente não vai parar, a gente vai continuar'”, lê-se ainda no comunicado.

Marcelo Rebelo de Sousa lembra Jorge Palma “forte nas lutas” e “forte na amizade”

O ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou Jorge Palma falando ao telefone com a rádio TSF, contando que a primeira vez que o viu foi no Festival Vilar de Mouros, na primeira edição que se realizou em 1971, onde Palma participou com a sua então banda, o Sindicato.

Mas o momento mais “crucial” para Marcelo foi um concerto ao ar livre no Castelo de São Jorge, em setembro de 2020. “Toda a gente de máscara, uma multidão enorme, uma orquestra espetacular, ele frágil, com uma música que cantava, fisicamente frágil, mas forte nas causas, forte na luta, forte na militância, forte na amizade”, lembrou o ex-presidente.

Marcelo lembrou Palma como alguém “amável” que “unia” pessoas, sem deixar de lutar pelo que acreditava.

“Ele sempre lutou pelo 25 de Abril, antes, durante e depois”, lembrou, sublinhando que o cantor “sempre entendeu que a cultura, o mais vasta possível, o mais ampla possível, o mais aberta possível, o mais tolerante possível, era um pilar do 25 de Abril”.

“Em cada canção, cantava. Em cada gesto que tinha, em cada década que viveu, ele viveu intensamente. Ele vivia cada dia como se fosse o último. Era assim. A isso chama-se um militante”, disse ainda Marcelo Rebelo de Sousa.

Festa do Avante! lembra Jorge Palma, compositor da “Terra dos Sonhos”

A Festa do Avante!, na rede social X, lembrou também Jorge Palma, considerando que o cantor “representa de forma insubstituível muito daquilo que é a Festa do Avante!: a amizade , o amor, o toque quente da pele no verão, o cobertor de esperança para atravessar o inverno, a vida que temos e a vida que queremos”.

Palma é o compositor da canção “Terra dos Sonhos”, originalmente no disco “Qualquer Coisa Pá Música”, de 1979, e frequentemente ligada ao evento organizado pelo Partido Comunista Português, onde o cantor atuou várias vezes — a última das quais em 2023, com Rui Reininho.

Na publicação, a Festa do Avante! frisa esta ligação. “Há um lugar a que chamamos casa, que sentimos como o lugar a que pertencemos, e que muitas vezes pode até parecer utopia. Sabemos que na Festa a que muitos chamam Terra dos Sonhos esse lugar é bem real, porque o construímos a partir do sonho de muitos, das mãos de muitos e com a voz de muitos”, lê-se no texto, tendo ainda referenciado a letra desta mesma canção

“Mais do que contarmos as vezes que pisou este chão, lembramos essa força que sempre nos deu para tirar a mão do queixo, para sermos quem somos, para nos cantarmos uns aos outros (toda a gente trata a gente toda por igual) e continuarmos a construir essa lugar para onde queremos ir morar, numa estrada que vamos percorrendo juntos, sem parar”, acrescentou a festa.

Paulo Gonzo diz ter perdido “um irmão” e diz que Palma lhe vai “fazer muita falta”

O cantor Paulo Gonzo evocou também Jorge Palma, que disse ser mais do que um amigo. “Perdi um irmão”, lê-se na publicação.

“Foram muitos anos de vida, de música, de palcos, de conversas, de cumplicidade. Daquelas amizades que já não precisam de explicação, porque fazem parte de nós”, acrescentou Gonzo, dizendo estar com dificuldades para “encontrar palavras para uma despedida” para a qual nunca se está “preparado para fazer”.

“Obrigado por tudo, Jorge. Pela música, pela amizade, pelas memórias e por tantos pedaços de vida que levamos juntos. Vais fazer-me muita falta, meu irmão”, disse ainda.

Pedro Abrunhosa diz que música de Jorge Palma “é espinha dorsal deste país” e lembra “amigo”

O músico Pedro Abrunhosa homenageou Jorge Palma na sua página de Facebook, tendo considerado que a sua música “é espinha dorsal deste país” e “que o há de ajudar a construir-se porque não há Portugal sem o espelho translúcido, honesto, dos seus autores”.

“Um mundo perto do abismo é aquele onde cresce o horror do ódio e sucumbem, exaustos, os Poetas. Os que nunca entregaram as palavras à vã vertigem da mediocridade carregam a flor salvífica à qual esse mundo esboroante se vai agarrando”, escreveu ainda o músico, lembrando quando conheceu com Palma.

“Nas madrugadas dos ‘80 cruzámos mãos e harmonias no piano do Hot-Club. Éramos quase adultos, a Música o nosso teto e chão. Tocávamos, felizes, naquela cave jazzenta, para os três ou quatro resistentes que esperavam o milagre da madrugada”, lê-se, contando que, entre as “milhares de vozes” que cantavam as canções de Palma, Abrunhosa era uma delas.

“Em muitos espetáculos encerrei o palco com esse sublime hino que é ‘Encosta-te A Mim’. Não muito longe dessa original Praça da Alegria, lhe dediquei há três dias a última canção do meu concerto”, acrescentou ainda Abrunhosa, frisando ainda que a dedicatória “não foi premonição”.

“Foi respeito. Pelo homem e amigo que foi e pelo Músico que há-de continuar a ser. Este país não faz ideia do quanto precisa de ti, Jorge! Encosta-te a nós. E obrigado! Mil vezes, Obrigado!”, escreveu ainda.

Carlos Moedas: “Lisboa acordou mais silenciosa e com o coração mais frágil”

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, homenageou Jorge Palma numa publicação feita na rede social X, onde lembrou “o eterno rapaz do piano e o poeta vagabundo” que fez das ruas de Lisboa “o seu palco e das nossas vidas a sua grande canção”.

“Nascido em Lisboa, Jorge Palma conhecia o pulsar desta cidade como ninguém”, lê-se na mensagem do autarca, sublinhando que Palma “dedicou-lhe acordes, madrugadas e uma honestidade desarmante que nos ensinou a rir dos dias errados e a abraçar o recomeço em cada ‘Primeiro Dia'”.

“Foi o músico de rua em Paris, o mestre do Conservatório, a voz rebelde e livre que nunca se cansou de defender a cultura e a liberdade. Lisboa chora hoje um dos seus filhos mais brilhantes, mas a sua música — essa — permanece connosco, tatuada na alma de Portugal”, lê-se ainda.

“Hoje despedimo-nos de ti, mas guardamos a certeza de que a tua música será sempre o nosso eterno recomeço. Obrigado por tanto, Jorge. Descansa em paz e até sempre”, concluiu Moedas.

Tim partilha foto da “derradeira vénia” com Jorge Palma

O músico Tim, vocalista da banda Xutos e Pontapés e membro do grupo Rio Grande — com quem participou com Jorge Palma — partilhou uma foto da “derradeira vénia” com o músico.

“Obrigado Jorge”, escreveu Tim na publicação no Instagram.

Mafalda Veiga partilha foto com Jorge Palma: “Obrigada por tudo”

A cantora Mafalda Veiga partilhou uma foto que mostra Palma a pintar a sua mão, como forma de homenagem pela sua morte.

“Querido Jorge Palma, esta tatuagem será sempre eterna. Obrigada por tudo”, escreveu Mafalda Veiga no Instagram.

Camané destaca “grande compositor” e perda de “um amigo

O fadista Camané destacou no Instagram Jorge Palma como um “grande compositor, grande letrista, homem de cultura e da cultura” e “um amigo”.

“Um abraço, Jorge”, acrescentou.

Ministra da Cultura evoca “uma das vozes mais icónicas da música portuguesa”

A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, lamentou numa publicação na rede social X a morte de “uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas”.

“Ao cantautor extraordinário, agradecemos o legado único com vários temas inesquecíveis como ‘Frágil’, ‘Dá-me Lume’ ou ‘Bairro do Amor’. À família e amigos, sentidas condolências”, acrescentou.

Samuel Úria diz que perda de Jorge Palma “não é sequer do domínio do dizível”

O músico Samuel Úria reagiu nas suas redes sociais, partilhando um vídeo de uma versão sua da música “Beijos e Papas de Leite”, gravada aquando dos 70 anos de Jorge Palma.

“O que hoje perdemos não é sequer do domínio do dizível. Mas o que fica é, e será – pelo menos enquanto este país existir (e houver estrada para andar)”, escreveu Úria.

“Que miseráveis que teríamos sido sem ti, Jorge. E agora?”, acrescentou

Presidente da República lamenta morte “de um dos ícones” da música portuguesa

António José Seguro, no site da Presidência da República, disse ter recebido a notícia da morte de Jorge Palma “com enorme tristeza e consternação” e disse que o país se despede “de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade”

“As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia”, continuou, frisando que elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações”.

“Os acordes, os ritmos e as melodias de temas inesquecíveis como ‘Bairro do amor’, ‘Na terra dos sonhos’, ‘Estrela do mar’, ‘Deixa-me rir’, ‘Frágil’, ‘Encosta-te a Mim’, ‘A Gente Vai Continuar’ ou ‘Dá-me Lume’ recordarão o seu lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero”, sublinhou o Presidente.

“Além de criador e intérprete de exceção, Jorge Palma foi também um artista que colaborou e trabalhou com muitos outros companheiros, mostrando sempre uma rara versatilidade e ecletismo, o que fez dele uma referência da nossa história musical ao longo dos últimos cinquenta anos”. lê-se ainda na mensagem.

O Presidente da República destacou ainda que “Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso”.

“De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas”, sublinhou, lembrando o “talento raro e precisoso que nos contagiou a todos com o seu vírus de harmonia, beleza e rebeldia”.

“É assim que o ouviremos até ao fim. A gente vai continuar”, concluiu António José Seguro, sem antes lembrar que Jorge Palma estava previsto para participar na Festa do Livro em Belém, que ocorreu este fim de semana.

“Infelizmente, já não pôde juntar-se a nós devido ao seu estado de saúde. Por isso são ainda mais intensos o choque e a tristeza vividos hoje, com a notícia da sua morte”, expressou, deixando as condolências à família do músico e a “todos os artistas que estiveram ligados à sua música e à sua carreira”.

Montenegro destaca “voz única e músicas intemporais”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, enalteceu o contributo do músico Jorge Palma para a cultura portuguesa, com a sua “voz única e músicas intemporais”.

“Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”, afirmou o chefe de governo em mensagem no X, logo após ser conhecida a morte do músico.

“Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais”, adianta Montenegro, deixando condolências à família e amigos de Jorge Palma, em nome pessoal e do Governo.

David Fonseca: “O que eu mais admirava era a sua forma inconformada de estar no mundo”

David FOnseca partilhou uma mensagm nas redes sociais em que começa por dizer que a sua “admiração profunda” por Jorge Palma tem várias frentes, referindo o facto de este ser um “prodigioso compositor, letrista e intérprete, um pianista fora de série, um poeta, um observador astuto do nosso mundo, todas as qualidades que o colocam há décadas como um dos maiores músicos de sempre do nosso país”.

“Mas a que eu mais admirava era a sua forma inconformada de estar no mundo, um espírito livre que não se encaixava em nenhuma prateleira possível”, realçou David Fonseca. “Num mundo tão formatado como o nosso, ele seguiu o seu caminho único, igual a si próprio e a mais ninguém”, acrescentou, contando que sempre que privava com Palma o seu “nervosismo de eterno admirador era sempre desfeito pelo à vontade e simplicidade da sua forma de estar”.

“Por vezes, o nosso país consegue ter memória curta com os seus artistas, mas não no caso do Jorge. Presenciei muitas vezes o carinho e admiração absoluta que o público tinha com ele nas suas actuações e o silêncio imediato ao início de cada canção, como se não quisessem perder uma única nota do mestre. E também o aplauso ruidoso que se seguia quando parava, acompanhado de declarações de amor em alta voz”, disse nesta mensagem em que surge a tocar “Frágil” ao lado de Jorge Palma.

“FIcam a voz, os poemas e o carisma”, diz Paulo Rangel

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirma que é “um dia triste – muito triste – para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam”.

Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, “ficam a voz, os poemas e o carisma”.

Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico – “O que eu não vivi, hei-de inventar contigo” -, e termina-a garantindo: “O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele”.

José Luís Carneiro realça obra extraordinária de um homem livre

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reagiu à morte de Jorge Palma, recordando um dos “maiores músicos e compositores” portugueses e a sua “obra extraordinária”.

“Jorge Palma deixa-nos uma obra extraordinária, feita de palavras, melodias e canções que atravessaram gerações e que ficarão para sempre na memória coletiva dos portugueses”, escreveu José Luís Carneiro, na sua página oficial na rede social X, afirmando que “Portugal perdeu um dos seus maiores músicos e compositores”.

“Homem livre, de uma criatividade singular e de uma autenticidade rara”, Jorge Palma “fez da música também uma forma de celebrar a liberdade”, acrescentou José Luís Carneiro, que conclui: “Obrigado por tanto, Jorge Palma. A gente vai continuar”.

Jorge Palma deixa “obra assinalável” e “muitos amigos pelo mundo”

O músico Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, 21 de setembro. “É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória” anunciou a família do músico, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

A família recorda que Jorge Palma, com uma carreira com mais de meio século, “deixa uma obra assinalável que faz parte da história” portuguesa, bem como “muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade”.

A mulher de Jorge Palma, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os agentes do músico, André Sebastião e Tiago Branco, “neste momento de dor incalculável”, pedem que o autor de temas como “Frágil”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “Na terra dos sonhos” e “Deixa-me rir” seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos”.

 

Créditos: Diário de Notícias

TVSH 22/09/2026