Empresas portuguesas aceleram aposta na IA antes de definir regras claras

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Conheça aqui o estudo sobre o futuro da economia que antecede o QSP SUMMIT 2026.

As empresas portuguesas estão a acelerar o investimento em Inteligência Artificial numa altura em que a maioria ainda não definiu regras claras para a utilização destas tecnologias. Quase metade dos profissionais identifica a IA como principal prioridade de investimento para os próximos 12 meses, mas apenas uma em cada cinco organizações afirma já ter regras claras e formalizadas para a sua utilização.

O estudo revela também uma perceção crescente de imprevisibilidade económica e dúvidas sobre a capacidade das organizações para responder a um contexto mais tecnológico, global e instável. 

O estudo “Leading the Future Economy”, conduzido pela consultora QSP – Marketing Management & Research junto de 290 profissionais ativos em Portugal, analisa as principais tendências, riscos e prioridades que deverão marcar a economia e as empresas nos próximos anos. 

A Inteligência Artificial surge como a principal área de investimento para os próximos 12 meses, referida por 43,1% dos inquiridos, acima da tecnologia e transformação digital (34,1%) e da cibersegurança (26,2%). 

Apesar disso, apenas 21,2% dos participantes afirmam que a sua organização possui orientações claras e formalizadas para a utilização de IA. Outros 30,5% indicam que essas regras ainda estão em desenvolvimento, enquanto 19,3% assumem que a organização não possui qualquer orientação para utilização destas tecnologias. 

As principais barreiras à adoção são a resistência à mudança (33,1%) e a falta de conhecimento interno (31%), à frente das preocupações com privacidade e segurança (26,6%) e dos custos elevados (24,1%).

“Os resultados mostram um desfasamento entre a velocidade de adoção da IA e a capacidade das organizações para criarem políticas internas, prepararem equipas e integrarem estas ferramentas de forma consistente. A transformação tecnológica está a avançar mais depressa do que a adaptação das próprias organizações”, afirma Rosa Carvalho, Market Research & Project Lead da QSP e responsável pelo estudo.

Economia do futuro é vista como mais imprevisível do que digital

Quando questionados sobre a principal característica da economia dos próximos anos, 42,1% dos profissionais escolhem “mais imprevisível”, enquanto 29,7% optam por “mais digital”.

As perspetivas económicas para os próximos 12 meses reforçam essa perceção. Mais de um terço dos inquiridos (34,8%) antecipa um cenário de desaceleração económica, 19,3% apontam para estagnação e 15,2% admitem recessão. Apenas 9% acreditam num cenário de crescimento forte.

Cerca de 76% concordam que a geopolítica internacional será uma fonte crescente de incerteza económica e mais de 70% consideram que as regras da economia tradicional já não são suficientes para responder aos desafios futuros.

Sobre a capacidade de resposta das organizações, apenas 20% afirmam que as empresas estão claramente preparadas para competir num contexto mais global e imprevisível.

IA deverá transformar funções mais do que eliminar empregos

Para 32,8% dos participantes, a Inteligência Artificial irá sobretudo transformar funções existentes. Já 24,7% acreditam que algumas funções serão eliminadas, enquanto 15,8% antecipam a criação de novos postos de trabalho.

As competências mais valorizadas para os líderes do futuro combinam literacia tecnológica com capacidade de adaptação e gestão de pessoas. A literacia digital e tecnológica, incluindo IA, surge em primeiro lugar (42,8%), seguida da gestão de pessoas e talento (35,5%), da abertura à mudança e aprendizagem contínua (33,8%) e da capacidade de adaptação e agilidade (33,4%).

“O estudo mostra que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas tecnológico. A pressão económica, a imprevisibilidade geopolítica e a necessidade de adaptação contínua estão a obrigar empresas e lideranças a rever prioridades estratégicas, modelos de decisão e competências críticas para competir”, afirma Rui Ribeiro, CEO do QSP SUMMIT.

O estudo “Leading the Future Economy” foi desenvolvido no âmbito da 19ª edição do QSP SUMMIT, um dos principais eventos europeus de gestão, marketing e estratégia empresarial, que se realiza entre 30 de junho e 2 de julho de 2026, no Porto e em Matosinhos.

O estudo quantitativo CAWI foi realizadoa através de um questionário online, entre 16 de abril e 8 de maio de 2026, com 290 respostas válidas, a rofissionais ativos em Portugal, incluindo quadros médios e superiores, de diferentes setores de atividade

Créditos: NMmatosinhos

TVSH 02/06/2026