Dia Mundial do Ambiente: crise climática já é uma emergência de saúde pública em Portugal

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Conselho Português para a Saúde e Ambiente alerta para o impacto crescente das alterações climáticas na saúde e defende integração urgente entre políticas ambientais e políticas de saúde

 

No Dia Mundial do Ambiente, assinalado este ano sob o mote da ação climática – #NowForClimate –, o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alerta que a crise climática deixou de ser uma ameaça distante: é já um determinante diário da saúde das populações, também em Portugal.

O aumento das temperaturas, as ondas de calor, os incêndios, as secas, a subida do nível do mar, a poluição atmosférica e a maior frequência de fenómenos climáticos extremos têm impacto direto e indireto na saúde humana. Para o CPSA, esta realidade exige uma resposta integrada, capaz de aproximar as políticas de saúde das políticas ambientais.

“Durante demasiado tempo, as políticas ambientais ignoraram a saúde e as políticas de saúde ignoraram o ambiente. Hoje, sabemos que a saúde das pessoas depende da saúde do planeta. A emergência climática é também uma emergência de saúde pública”, afirma Luís Campos, presidente do CPSA.

evidência científica tem demonstrado que os fatores ambientais influenciam de forma significativa várias doenças, com destaque para as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, as doenças respiratórias crónicas, as alergias e o cancro. A estes impactos somam-se ainda o aumento de doenças transmitidas por vetores, como a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental ou a chikungunya, a degradação da qualidade da água e dos alimentos, os efeitos diretos das catástrofes climáticas e o impacto na saúde mental.

Em Portugal, os efeitos já são visíveis. O país tem registado ondas de calor mais frequentes e intensas, períodos de seca prolongada e incêndios de grande dimensão. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Saúde, as ondas de calor estiveram associadas a um excesso de 2300 mortes em 2025. A poluição atmosférica continua também a representar um importante risco para a saúde, estando associada a milhares de mortes em excesso todos os anos.

Para o CPSA, estes dados mostram que a resposta à crise climática deve ser encarada como uma prioridade de saúde pública. As determinantes ambientais estão já associadas a cerca de uma em cada quatro mortes a nível global, pelo que proteger o ambiente é também proteger a saúde das pessoas.

O setor da saúde tem igualmente um papel relevante nesta transformação. Em Portugal, estima-se que seja responsável por cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa, além de ser uma fonte importante de produção de resíduos. Reduzir a pegada ambiental do setor, preparar os serviços de saúde para eventos extremos e promover práticas mais sustentáveis são, por isso, objetivos essenciais.

O CPSA defende a criação de uma estrutura de governação transversal, capaz de integrar saúde e ambiente nas diferentes áreas de decisão política. Para a organização, este é um desafio que ultrapassa ministérios, setores e ciclos políticos, exigindo respostas coordenadas, multissetoriais e sustentadas.

“O desafio que enfrentamos é complexo e nenhuma área da governação está isenta de responsabilidade. Precisamos de soluções integradas, porque os problemas ambientais, climáticos e de saúde estão profundamente ligados”, sublinha João Queiroz e Melo, vice-presidente do CPSA.

Neste contexto, o CPSA apela também à rápida implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas, proposto pelo Brasil na COP30 e já assinado por mais de 60 países, incluindo Portugal.

Com mais de 114 organizações associadas, dos setores público, privado, académico, científico e associativo, o CPSA reforça a sua disponibilidade para contribuir para uma resposta nacional mais integrada. A organização sublinha que este é um compromisso coletivo e intergeracional.

“Estamos todos do mesmo lado quando falamos do futuro das próximas gerações. A proteção do ambiente não é uma causa distante: é uma condição essencial para proteger a saúde, a qualidade de vida e a segurança das pessoas”, conclui Luís Campos.

 

TVSH 05/06/2026