Escola de Matosinhos contra abate de árvore no recreio. Câmara invoca insegurança

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Em declarações esta segunda-feira à Lusa, Marta Jorge, mãe de três alunos daquele estabelecimento de ensino, revelou que a novidade foi conhecida na semana passada, após partilhas em grupos de pais no WhatsApp, surgindo o abate associado à construção de um prédio de apartamentos ao lado do estabelecimento de ensino.
Na sequência da tomada de conhecimento, “a direção da escola e a associação de pais contactaram a Câmara Municipal tentando sensibilizá-los para a manutenção da árvore, mas a verdade é que hoje já esteve no local uma máquina a cortar os ramos”, relatou a encarregada de educação.

Marta Jorge afirmou tratar-se de uma árvore de grande porte. Questionada se a escola tinha alunos atualmente, a encarregada de educação revelou que estão em curso as Atividades de Tempos Livres (ATL), mas afirmou desconhecer quantos alunos estão diariamente naquele estabelecimento de ensino.

A Escola da Ermida contabilizou ter três turmas do ensino pré-escolar, mais três turmas em cada um dos quatro anos do I Ciclo.

“É uma escola com um projeto educativo especial que deixa as crianças explorarem o jardim, onde há uma horta e onde eles andam à chuva. Portanto, é uma escola que também tem uma cultura associada à questão da preservação do ambiente, ao contacto com a natureza”, descreveu Marta Jorge.

“Estruturas complementares de proteção solar”

Contactada pela Lusa, a Câmara de Matosinhos confirmou a decisão de abater a árvore e justificou-o por motivos de segurança.

“A remoção da árvore é uma medida de segurança. As obras de construção do edifício adjacente à escola, que contempla a criação de 75 novas habitações no concelho, irão provocar movimentações de terreno que comprometem a estabilidade estrutural da árvore, criando um risco significativo de queda sobre a zona de recreio”, explica a autarquia.

Lê-se ainda na resposta enviada à Lusa, quanto ao impacto nas sombras no ambiente escolar, que a escola “dispõe atualmente de duas outras árvores que continuarão a assegurar a cobertura sombreada”.

“Caso seja necessário, o município assegurará a colocação de estruturas complementares de proteção solar”, garantiu a autarquia liderada pela socialista Luísa Salgueiro.

Acrescenta o município que “o património de árvores do município não ficará comprometido, uma vez que a lei prevê mecanismos legais de compensação em que o privado compensa o município para que sejam plantadas novas árvores, o que garante proteção e ampliação do património arbóreo municipal”.

A autarquia sublinha que “teve já duas reuniões com a comunidade escolar, pais e professores, e que continua em diálogo constante com as partes envolvidas e disponível para prestar todos os esclarecimentos que se afigurem como necessários”.

Criada petição

A comunidade escolar lançou, entretanto, uma petição online onde manifesta a sua preocupação quanto ao possível abate da árvore e defende que a mesma “constitui um ativo ambiental que contribui para a redução da temperatura local, para a melhoria da qualidade do ar, para a promoção da biodiversidade e para o bem-estar físico e emocional das crianças”.

“A sua presença assume uma relevância ainda maior no contexto atual de alterações climáticas, marcado por fenómenos extremos cada vez mais frequentes, como as vagas de calor que têm afetado”, assinala a petição, hoje com 478 assinaturas, onde pedem à autarquia que reavalie a necessidade do abate e analise soluções técnicas para a sua preservação e integração no projeto urbanístico.

Dizendo acreditar que “é possível conciliar o desenvolvimento urbano com a proteção do ambiente, a valorização do património natural e a defesa do interesse superior das crianças”, apelam à Câmara Municipal de Matosinhos para que “reveja esta intervenção e adote uma solução que preserve a árvore existente e a privacidade da comunidade escolar”.

 

Créditos: JN

TVSH 14/07/2026