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O homem acusado de ter filmado a ex-namorada a ter sexo com outro indivíduo, 20 minutos antes de a ter matado, em São Mamede de Infesta, Matosinhos, no verão do ano passado, confessou o crime esta quinta-feira, no início do julgamento. Responde por dois homicídios qualificados, um dos quais na forma consumada, furto qualificado e condução sem habilitação legal.
De seguida, David Marinho afirmou ter ficado “surpreendido” com esse facto e, por isso, começou a filmar discretamente a antiga companheira a tomar banho com outro homem, alegando que queria “uma prova de que ela o traía”. Segundo disse, continuou a gravar mesmo quando o casal foi para o quarto e manteve relações sexuais, mas nunca transmitiu os vídeos em direto, limitando-se a enviá-los posteriormente à mãe.
“O que mais me consumiu não foi a traição. Foi todos esses anos que passei com ela, em que constantemente eu mostrava tudo da minha vida. Deixei tudo da minha vida, os meus objetivos, para fazer o que ela queria. (…) Aquilo estava a corroer-me, o que eu estava a ver, a escutar. Eu não consegui sair da casa, simplesmente não consegui sair”, disse.
Questionado pelo juiz-presidente sobre se se munira de facas de imediato, afirmou que não. “Nada muda os factos. Eu já estou a pagar por tudo o que fiz. Sei que não dá para voltar atrás”, continuou, a chorar, admitindo ter perdido o controlo.
“Não o conhecia. Não sabia quem era ele. Estava tomado pela raiva. Só queria magoá-lo”, relatou David Marinho, explicando que, após ferir o outro homem à facada, acabou por atacar a ex-namorada. “Ela estava sempre a dizer para eu ter calma, que gostava de mim, que não era nada do que tinha visto. Ela continuou a falar e eu perdi novamente o controlo, não queria que ela falasse mais, sabia que era tudo mentira, vi o quanto ela me tinha enganado o tempo todo”, acrescentou, revelando que planeava fazer-lhe um pedido de casamento no Brasil e que, apesar de ela não gostar muito de crianças, sonhava em ter filhos com ela.
O arguido explicou ainda que a sua intenção, após esfaquear as vítimas, era acionar o socorro, mas não sabia qual era o número correto. O presidente do coletivo questionou por que não recorreu ao Google, ao ChatGPT ou ao Gemini para descobrir o contacto de emergência (112).
Ministério Público fala em plano para “liquidar”
Segundo a acusação, a que o JN teve acesso, David Marinho manteve um relacionamento com Ana Rita Dionísio, funcionária do McDonald’s do Norteshopping, desde julho de 2022 até junho do ano passado. Após o término, o arguido passou a contactá-la “constantemente via e-mail e nas redes sociais, pedindo-lhe para reatarem o relacionamento”. “Convencido de que a ofendida tinha um relacionamento amoroso com outro homem”, David formulou, a dada altura, “um plano para liquidar ambos quando os apanhasse juntos”, considera o Ministério Público (MP).
Assim, diz a acusação, o arguido foi até à casa da ofendida, em São Mamede de Infesta, no dia 4 de agosto de 2025, pelas 19 horas. Aí, fazendo uso de uma chave que estava escondida, como sempre, na caixa da eletricidade, entrou no espaço sem autorização. “No interior, o arguido apercebeu-se de que a ofendida se encontrava acompanhada do ofendido Guilherme e que se encontravam ambos nus a tomar banho”, descreve o procurador do MP, acrescentando que, “nesse momento, o arguido empunhou o seu telemóvel e começou a filmar os ofendidos”. Após, o casal foi para o quarto e iniciou as relações sexuais, “tendo o arguido continuado a filmá-los”.
A acusação diz que, cerca de 20 minutos depois, o arguido foi até à cozinha e pegou em duas facas, com mais de 20 centímetros. A seguir, “despiu-se e ficou apenas de cuecas, tendo empunhado uma das facas e colocado a outra nas cuecas.” Depois de ter entrado no quarto, David Marinho desferiu vários golpes, ora na antiga namorada, ora em Guilherme. Este, mesmo ferido, conseguiu refugiar-se na casa de banho e escapou com vida à agressão. Levado para o Hospital de São João, foi operado de urgência e sobreviveu. Já Ana Rita sofreu, pelo menos, 21 golpes em várias zonas do corpo e morreu.
De seguida, o arguido apoderou-se de dois cartões bancários da vítima e do seu Citroën C1 e fugiu. Conduziu o carro, sem carta de condução, desde Matosinhos até Lisboa. Foi intercetado e detido na Avenida Marechal Craveiro Lopes, próximo ao Aeroporto de Lisboa, por inspetores da Polícia Judiciária do Porto, que apreenderam o telemóvel, roupas e calçado com vestígios de sangue, um cabo de carregador USB e os cartões bancários.
Créditos: JN
TVSH 27/03/2026
