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O CEiiA lança a BEN Builders, uma iniciativa que convida jovens, famílias e escolas a imaginar o futuro da mobilidade a partir do BEN, o veículo elétrico citadino criado em Portugal para transformar a forma como nos movemos, com respeito pelas pessoas e pelo planeta.
Há ideias que nascem de grandes planos. E há outras que começam com peças pequenas — às vezes, mesmo de LEGO. O BEN, veículo elétrico citadino desenvolvido em Portugal, pertence claramente à segunda categoria: um projeto que cruza engenharia, criatividade e uma visão ambiciosa para as cidades do futuro.
Agora, essa mesma lógica regressa à origem com o lançamento da BEN Builders, uma iniciativa do CEiiA que transforma imaginação em protótipo e convida jovens, famílias e escolas a pensar — e construir — novas formas de mobilidade.
Durante dois dias, em Matosinhos, dez equipas aceitaram o desafio: criar a melhor versão do BEN, à escala 1:12, recorrendo a peças LEGO e a uma ideia concreta de aplicação urbana. Mais do que um exercício lúdico, trata-se de um laboratório de pensamento — um ensaio sobre como nos vamos mover, viver e partilhar espaço nas cidades que aí vêm.
Na BEN Builders, cada equipa recebe um kit completo incluindo um manual com os conceitos fundamentais do projeto. Além da construção, o desafio passa por representar pelo menos uma aplicação concreta do BEN para utilização nas cidades. O processo termina no dia 18 de abril, com um pitch final de cinco minutos, no qual cada equipa apresenta a sua visão para o futuro do BEN.
A ligação à LEGO assume assim uma dimensão profundamente simbólica, uma vez que muitos dos engenheiros e designers que hoje desenvolvem o BEN começaram a dar forma à sua imaginação ainda nos bancos da escola, a construir com LEGO.
“Acreditamos que a criatividade começa na imaginação”, explica Helena Silva, CTO do CEiiA. “É isso que sempre procurámos estimular ao engenharizar a criatividade em tudo o que desenvolvemos, com impacto positivo na vida das pessoas e do planeta.”
O BEN nasce precisamente dessa filosofia. Não é apenas um veículo elétrico: é um conceito de mobilidade. Pode ser conduzido a partir dos 16 anos, foi pensado para ser partilhado — tanto na posse como no uso — e integra-se numa lógica de rede, onde o transporte deixa de ser individual para passar a ser coletivo, inteligente e eficiente.
Mas talvez o mais inovador esteja na sua base invisível. O BEN é o primeiro veículo desenvolvido a partir de uma plataforma digital — o seu “SPIRIT” — que permite conceber diferentes versões físicas (“Body”) e ligá-las a serviços de mobilidade urbana, incluindo transportes públicos. Uma abordagem que aproxima o automóvel do universo do software: adaptável, conectado e em constante evolução.
Há ainda uma ambição ambiental clara. O projeto assume o objetivo de neutralidade carbónica, compensando as emissões da produção através da utilização. Num momento em que as cidades procuram reduzir a pegada ecológica, o BEN posiciona-se como parte da solução.
A ligação à LEGO, por sua vez, não é apenas estética — é quase biográfica. “Ter construído em LEGO é o denominador comum da equipa que hoje desenvolve o BEN”, sublinha Helena Silva. “A BEN Builders é a forma de devolver essa experiência às novas gerações.”
E é precisamente isso que acontece nesta iniciativa: uma espécie de ciclo que se fecha — ou que recomeça. Engenheiros que começaram por brincar constroem agora ferramentas para que outros possam imaginar.
Mais do que uma competição, a BEN Builders é um exercício intergeracional. Cada equipa não só constrói um modelo físico, como propõe uma utilização concreta do veículo, num pitch final que cruza criatividade, tecnologia e visão urbana. A ideia central é simples, mas disruptiva: privilegiar o acesso em vez da propriedade, o uso em vez da posse.
Depois de Matosinhos, o projeto quer ganhar o mundo. Japão, Brasil, África e Itália estão no horizonte, numa expansão que acompanha a ambição global do próprio BEN.
“Com a BEN Builders esperamos conseguir estimular a imaginação e engenharizar a criatividade dos participantes na construção de um planeta melhor”, resume Helena Silva.
Num tempo em que a mobilidade enfrenta desafios ambientais, urbanos e sociais, talvez a resposta comece — como tantas outras — com uma pergunta simples: e se voltássemos a imaginar tudo de novo?
Créditos: Jornaleconomico
TVSH 17/04/2026
