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CP recebe investimento de 25 milhões do Governo em 2020

9 Janeiro, 2020 128 4 Sem comentários

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Plano de investimento na transportadora ferroviária atinge pico de execução durante 2020. Já com EMEF integrada, CP reabre oficina de Guifões dia 15.

O ditado “ano novo, vida nova” assenta que nem uma luva à CP. 2020 vai ser um ano de viragem para a empresa pública de comboios: além de contar, pela primeira vez, com um contrato de serviço público, o ano que agora começa vai representar um investimento de 25 milhões de euros ao abrigo do plano apresentado pelo Governo no final de junho de 2019. Já com a empresa de manutenção EMEF devidamente integrada, a CP vai começar o novo ano com a reabertura da oficina de Guifões, em Matosinhos, que tinha sido encerrada em 2011. Marcada para 15 de janeiro, a cerimónia de reabertura vai servir para mostrar que a transportadora está a apostar a todo o vapor da recuperação do material ferroviário que esteve encostado no Entroncamento nos últimos anos: serão exibidas pelo menos duas carruagens Schindler, dos anos 1940, e ainda uma locomotiva da série 2600, que deverá ser posta ao serviço na linha do Minho nos próximos meses.

 

A recuperação de material circulante é o principal objetivo da primeira fase do plano de investimento da CP, que conta com um orçamento total de 45 milhões de euros até ao final de 2022 e que atingirá o seu pico em 2020.

 

Governo vai recuperar 70 comboios da CP até 2022.

Com o contrato do Estado, em troca da compensação de 90 milhões de euros, a empresa ferroviária tem de cumprir as obrigações de serviço público em todos os seus serviços, exceto no Alfa Pendular.

Queremos voltar a fazer bem as coisas simples, como o comboio aparecer. Temos de repor o índice de regularidade do serviço comercial a 100% – atualmente, o índice é de 98,5%, o que é mau para a indústria. Também queremos que o comboio apareça e chegue a horas – e isso depende muito da CP. Precisamos ainda de melhorar o conforto em toda a frota”, destaca Nuno Freitas, presidente da transportadora desde julho.

Ainda antes da reabertura da oficina de Guifões, a CP já começou a intervir noutros comboios na unidade de Contumil, também na região do Porto. É lá que as oito automotoras do serviço urbano de Lisboa estão a ganhar uma nova vida e vão proporcionar 8000 lugares adicionais aos utentes das linhas de Sintra e Azambuja durante 2020. Resta saber se este reforço vai ser suficiente para a cada vez mais procura pelos comboios na Grande Lisboa.

A ajudar na recuperação destes comboios estarão parte dos 150 operários que saíram das oficinas da EMEF nos últimos anos. Esta medida entra em vigor também a partir de 1 de janeiro. Estes funcionários vão ajudar os 67 novos trabalhadores da EMEF que começaram a entrar nestas oficinas nos últimos meses.

A CP também vai ter um reforço de 120 pessoas durante 2020: 40 maquinistas, 40 revisores, 20 trabalhadores na área comercial; os restantes irão para outras áreas.

Novos comboios e turismo ferroviário

2020 também vai ser o ano em que será assinado o contrato com o vencedor do primeiro concurso público para comprar novo material circulante em duas décadas. O anúncio oficial da vitória dos suíços da Stadler terá de esperar algumas semanas porque o concurso foi impugnado por um dos candidatos derrotados, os espanhóis da CAF.

Além do serviço público ferroviário, prevê-se que durante este ano seja apresentado um plano para fomentar a vinda dos apaixonados por comboios a Portugal para que possam usufruir das viagens com material histórico nas linhas de caminho de ferro. A viagem com o comboio a carvão vapor na linha do Vouga foi um teste muito bem sucedido, com os bilhetes esgotados e a vontade de repetir este percurso.

O turismo ferroviário mereceu mesmo uma menção no Orçamento do Estado para 2020 e poderá ser desenvolvido graças a parcerias com regiões de turismo ou municípios.

O final da renovação dos comboios Alfa Pendular para mais 15 anos de circulação também será um dos marcos de 2020 para a CP.

O grande obstáculo para a reviravolta da CP está mesmo nas linhas de caminho de ferro, com o plano Ferrovia 2020 a acumular atrasos na conclusão das obras de norte a sul do país.

Pedro Nuno Santos quer que CP volte a gerir linhas de comboio.

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