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VENTILADOR PULMONAR DESEVOLVIDO NO CEIIA VAI SER TESTADO NA UNIVERSIDADE DO MINHO E CENTRO CLÍNICO ACADÉMICO DE BRAGA

5 Abril, 2020 235 20 Sem comentários

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SAÚDE | COVID-19

 press release
04 de abril de 2020

PARA RESPONDER À EMERGÊNCIA NACIONAL E
GLOBAL CAUSADA PELA COVID-19
VENTILADOR PULMONAR DESEVOLVIDO NO CEIIA VAI SER TESTADO NA UNIVERSIDADE DO MINHO E CENTRO CLÍNICO ACADÉMICO DE BRAGA
ESTÃO EM CURSO ENSAIOS EM MODELOS VIVOS – ANIMAL E HUMANO
A Escola de Medicina da Universidade do Minho e o Centro Clínico Académico de Braga têm já em curso o processo para a realização de ensaios do novo ventilador português – o ATENA – em modelos vivos, animal e humano.

“Os testes realizados em modelos mecânicos revelaram que o produto desenvolvido tem características que se comparam às dos ventiladores usados em unidades de cuidados intensivos”, revela José Miguel Pêgo, Médico e Professor da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

O Atena é um ventilador pulmonar português, desenvolvido a partir do CEiiA – Centro de Engenharia para o Desenvolvimento de Produto – com a comunidade médica e científica em resposta à emergência nacional e global de saúde causada pela Covid-19.

O mesmo surgiu na sequência das recomendações da Organização Mundial de Saúde para que os países obtivessem equipamentos ventiladores pulmonares para responder à epidemia, com base na estimativa que 14% dos infetados com COVID-19 têm pneumonia e 5% ficam em estado crítico, necessitando de ventilação externa para conseguir respirar e combater a doença.

Em três semanas, o trabalho conjunto entre 106 engenheiros de várias áreas do CEiiA, intensivistas, pneumologistas, anestesistas e internistas de hospitais públicos e privados do Norte e Sul do país e a Escola de Medicina da Universidade do Minho, chegou à fase de protótipo funcional e está em teste com pulmões artificiais, cumprindo todos os requisitos funcionais definidos para o tratamento de doentes em falência respiratória aguda.

O Atena enquadra-se na tipologia de ventiladores mais avançados e complexos, os chamados “invasivos”, propondo uma arquitetura simples que permita a montagem rápida e a produção descentralizada, assegurando as caraterísticas técnicas e de segurança de um invasivo avançado, como sejam:

  • controlar todos os parâmetros essenciais para responder à doença respiratória aguda (volume corrente, frequência respiratória, FiO2, PEEP, rácio I:E, pressão de suporte, trigger, ciclagem), incluindo os modos de volume controlado, pressão controlada e pressão assistida; 
  • emitir alarmes críticos à monitorização do paciente (pressão pico, pressão fim expiração, pressão fim inspiração, volume minuto, frequência respiratória);
  • funcionar a partir da rede de gases hospitalar ou de botijas (versão portátil).Entre as características também definidas e validadas pela comunidade médica estão ainda a sua utilização fácil e intuitiva, de fácil movimentação, seguro e fiável e também simples de limpar e descontaminar. Em termos técnicos, deve garantir o seu funcionamento contínuo sem falhas por um período mínimo de 15 dias, 24 horas por dia, e ser compatível com outros componentes médicos.
O plano prevê uma primeira produção de 100 unidades no CEiiA até final de abril. Após esta fase, está prevista uma produção de 400 unidades até final de maio. Nos meses seguintes, iniciar-se-á a produção descentralizada com o objetivo de atingir as 10.000 unidades.

A Fundação EDP, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação La Caixa/BPI e REN foram as primeiras entidades a apoiar o projeto. A associação destas fundações e empresas ao projeto Atena é decisiva para os hospitais portugueses disporem já em Maio de 100 unidades do modelo de ventilador mecânico invasivo concebido e desenvolvido para salvar a vida de quem entra em falência respiratória aguda.

Este desafio coletivo de criar e produzir um ventilador pulmonar decorre da recomendação da OMS, mas também da responsabilidade especial da ciência e da tecnologia encontrarem respostas, do envolvimento de quem usa e sabe de medicina, de experiência em engenharia de desenvolvimento, mas sobretudo de cooperação e planeamento, de dedicação e compromisso. Para a comunidade crescente de profissionais envolvidos neste projeto, há um mesmo sentido: “por ti, por nós, por todos”.

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