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JOAQUIM JORGE, ELE PRÓPRIO, NA AFIRMAÇÃO DO MATOSINHOS INDEPENDENTE PELO SEU 1.º ANIVERSÁRIO

21 Novembro, 2019 164 19 Sem comentários

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A TV Senhora da Hora, aproveitou o 1.ºaniversário do Matosinhos Independente ( MI), que se festeja dia 30 de Novembro no Sea Porto Hotel Matosinhos,  para trocar umas impressões com Joaquim Jorge, o fundador do famoso Clube dos Pensadores, biólogo e mamedense,  que se quer abalançar à CM Matosinhos com um grupo de cidadãos.

  1. O Matosinhos Independente (MI) festeja o seu 1º aniversário. Como é que tudo começou na sua visão de mentor?

Estava na hora de tentar pôr em prática as ideias que defendia no Clube dos Pensadores. Não podia fazer debates toda a vida e há um tempo para tudo, é importante sabermo-nos retirar. Foi o que fiz ao terminar com o Clube dos Pensadores, foram quase 14 anos e cerca de 130 debates. Depois do que se passou com o PSD, permitiu-me ver que tinha muita gente comigo.

Matosinhos carece de uma elite pensante, tem meia dúzia de pessoas que se acham muito importantes e não passam de uns tontos.

Matosinhos funciona por “manadas” em que há um chefe que não pode nem deve ser questionado para se chegar a algum sítio. Esse foi o click para me libertar, voar sozinho e sonhar. Agora em Matosinhos está na hora de mudar e de questionar um poder de 44 anos, com todos os seus vícios inerentes.

  1. Se não fosse a sua maneira de ser, acha que o Matosinhos Independente teria o dinamismo que tem apresentado neste ano?

Não sei. Há quem diga que sou inteligente, irreverente, insubmisso, amigo, exigente, crítico, perfeccionista e diferente. Em algumas destas características revejo-me.

Mas a minha maneira de ser tem-me ajudado a impor. Há gente que não gosta de mim, acha-me arrogante, convencido e que não aceito a opinião dos outros. Confundem ter personalidade e não ser hipócrita. É sinal que estamos a avançar, as pessoas falam sempre de quem incomoda ou faz coisas. Isso é bom! Até prova em contrário todas as pessoas são importantes. Somos um povo de doutores, muito formal e pedante e temos a ideia que quem tem um cargo  é importante. Eu penso que as pessoas mais importantes estão em casa e não se querem incomodar, estou a tentar tirá-las do sofá.

3- Há alguns convidados e apoiantes que queira salientar?

Apoiantes:

Fernando dos Santos Neves, professor universitário, presidente do Conselho Superior Académico do Grupo Lusófona, foi reitor da Universidade Lusófona e professor do 1.ºcurso de Ciência Política em Portugal, tem como função defender, avaliar ponderar e zelar por esta plataforma, sendo uma pessoa sábia, erudita e experiente.

Joaquim Massena, arquitecto, mestre em Restauro e Reabilitação do Património, 1.º prémio com distinção para o projecto de Reabilitação do Mercado do Bolhão. Será o artificie do nosso programa na área habitacional.

Guimarães dos Santos – o padrinho deste movimento é médico, residente em S. Mamede de Infesta – Matosinhos, foi director do IPO, Provedor da SCMP. Apadrinha esta ideia e no fundo é o Pai espiritual que nos ajuda a trilhar este caminho, auxilia na condução deste projecto, alguém de confiança, de elevado mérito cívico que poderá preservar este movimento. Tem 85 anos, e a sua idade avançada nem sempre lhe permite estar presente.

Mário Russo – engenheiro e professor do IPVC que esteve sempre comigo no Clube dos Pensadores e nos vai dar uma ajuda no programa sobre o Ambiente.

Convidados, a quem pedimos conselhos.

Paulo Morais, professor universitário e especialista na área da corrupção.

Sofia Vala Rocha, jurista militante do PSD e vereadora em regime de substituição na CM Lisboa a quem nos ajudou como fazer oposição.

Agora vamos ter Luís Osório foi director de vários jornais e de uma rádio, actualmente é consultor e escritor. Vem conferenciar sobre A imprensa e a Liberdade de Expressão. Se a Imprensa não for isenta, plural e respeitar a livre opinião não há democracia e quem está no poder tem meios e formas de ficar lá para sempre.

  1. É um homem das ciências, biólogo e docente da área. Considera que a objectividade e a sistematização sejam a base da organização que coloca no que faz, a título pessoal e profissional?

Com certeza. Sou uma pessoa muito prática, não aprecio gente prolixo, preparo os debates minuciosamente, fazendo os convites com bastante antecedência. Sou muito pontual e o debate tem regras e tempo para começar e terminar: começa às 17h e termina às 18h. A seguir há um tempo para a candidatura.

  1. Temos constatado, por desabafos seus, que há quem o queira silenciar. O exercício da cidadania incómoda?

Parece que sim. Até costumo dizer que tenho uma relação difícil com a verdade (risos). Quem tem um cargo público pensa que está do alto do seu pedestal e que lhe passa tudo por baixo. Todavia a história recente mostra-nos que qualquer um cai e quanto mais alto julga estar maior é o estrondo.  Um cargo público existe para servir as pessoas não para se servir e fazer “joguinhos” e engendrar “sucessões”. Acho que as pessoas se começam a cansar deste tipo de gente e com esta mentalidade.

  1. O futuro do Matosinhos Independente?

Vai fazer um ano, estamos numa posição muito melhor do que há um ano. Todavia este projecto depende das pessoas, não depende só de mim. Eu apercebo-me que estão a aderir. Assinar uma propositura não é dar apoio, mas sim, permitir que possamos concorrer. As dificuldades de implementar uma candidatura autárquica independente genuína da sociedade civil é toda a enorme logística: são precisas 15.000 assinaturas num universo à volta de 152.000 eleitores de Matosinhos. Para se formar um partido são precisas 7.500 assinaturas num universo à volta de 10.800.000 de eleitores portugueses, é muito mais fácil. É preciso “voluntários cívicos” que nos ajudem na angariação das assinaturas.

  1. Que mensagem é que gostaria de deixar aos matosinhenses?

    Procurem estar informados e atentos. Quando acham que têm razão não deixem de o manifestar com argumentos de uma forma educada, mas pertinente e assertiva. Sigam o vosso voto e o que ele faz, não chega votar e depois não ligar nenhuma. Por fim gostava que houvesse menos intriga, menos golpes de bastidores, mais política e mais humanidade. Quem fica a perder são os matosinhenses.

  1. Acha que o seu movimento Matosinhos Independente vai ter sucesso?

Se não tentar não sei. Agora, também sei das dificuldades, mas não é impossível. Estou muito tranquilo e sereno. Se der deu, se não der volto para casa. Não dependo de cargos públicos para viver, toda a minha vida tive uma profissão de que me orgulho muito, apesar de andar pelas ruas da amargura. Ser docente actualmente é um acto de heroicidade.

Na minha vida nunca dou o meu tempo em cidadania por mal empregue. Posso sempre no futuro apresentar um trabalho científico e de investigação do que estou a fazer no Matosinhos Independente e fiz no Clube dos Pensadores. Parafraseando Lavoisier: “na política nada se cria nada se perde, tudo se transforma”.

Entrevista conduzida por Vasco Carvalho, director da TV Senhora da Hora

 

 

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